Vale a pena nos fazermos tais perguntas! As vezes temos tantas coisas que não damos valor a elas. Não cuidados com zelo, tratamos com indiferença. Com o tempo eu percebi que é importante ter as coisas que gostamos, que nos são úteis, e que conseguimos gerir, cuidar, que serve para um bom fim. Gosto deste ensinamento: “Se temos algo que não conseguimos cuidar, algo está errado”. Isso vale para muita coisa na vida. E sempre penso nele quando estou lavando roupas. Consigo gerir todas as roupas que tenho, cuidar, manter limpas, organizadas, em movimento, em uso? Consigo gerir o que tenho? Sou feliz com o que tenho? Ou o que tenho me deixa estressada? Sinto excesso ou falta? Nem um nem outro, o ideal é estar com a consciência em paz do bem. Se decidi ter algo, então preciso cuidar, estar de bem, ou as vezes preciso mudar, mudar a relação com as coisas. Se não damos conta de cuidar do que temos, alguma coisa está errada. Vale a reflexão! (Ana Terra)

Retirado de cadernoverdementa.com

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“Ultimamente venho pensando muito nas questões ambientais. Mais precisamente em moda sustentável, slow fashion e em consumo consciente. Cada vez mais estamos num processo de consumismo desenfreado e ando tentando lutar contra essa necessidade de compras já a algum tempo.

Nunca fui dessas mulheres que compram por impulso ou que compram alguma peça e depois deixa encalhada num canto. Normalmente penso muito antes de comprar uma roupa ou um sapato. Mas, desde 2015 tenho me podado mais nas compras. Fiquei quase um ano sem comprar roupas novas e realmente só fui comprar peças novas quando estava me preparando para ir para o Canadá em junho. A minha demissão ano passado colaborou mais ainda para as compras conscientes (estamos em crise e precisamos economizar, né gente?).

Eu sempre me faço uns questionamentos antes de comprar algum objeto que me chamou atenção por algum motivo. Sempre dá certo e garanto que se você começar a fazer esses questionamentos, logo, logo irá ver como estará economizando e de quebra dando uma força para o meio ambiente! Vamos aos questionamentos:

Eu REALMENTE preciso disso?

Eu POSSO ganhar isso?

Eu quero comprar isso para FAZER PARTE de algum grupo social ou porque eu QUERO?

Eu QUERO comprar isso de verdade ou só quero porque está TODO MUNDO USANDO?

Você acha que essa compra traz algum impacto no planeta?

Se depois que você responder essas três perguntas, você ainda quiser comprar o objeto de desejo, vá em frente. Com o tempo você verá que a maioria dos seus desejos é puro desejo impulsivo e vai perceber que existem coisas muito mais importantes para se gastar, como por exemplo, viagens e comida! 🙂  ”

via Como começar a consumir de forma consciente.

 

 

 

AMOR FEINHO

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.

Adélia Prado )
(Do livro Bagagem. Rio de Janeiro: Record, 2011. p. 97)

Parâmetro

Parâmetro

Deus é mais belo que eu.
E não é jovem.
Isto sim, é consolo.

Adélia Prado )

Etimologia da Palavra [Inspirar]

Do Latim INSPIRATIO, “colocar o ar para dentro, inalar, inflamar”, de IN, “dentro”, mais SPIRARE, “respirar”. 

Uma palavra polissêmica, que significa tantas coisas, trás sensações positivas, sinestésicas. Uma sensação de frescor, um alívio, um sentido de liberdade, uma vontade de seguir adiante, se relacionar, conviver com outros, pintar horizontes, contar boas histórias, sorrir, se encantar, sentir o vento, a brisa, as sementes voando.

De múltiplos sentidos:

  1. Colocar ar nos pulmões.
  2. Exercer ou receber influência sobrenatural ou divina.
  3. Exercer ou sofrer influência animadora; entusiasmar(-se), arrebatar(-se).
  4. Estimular, com beleza, encanto, virtudes.
  5. A capacidade criativa de… 
  6. Fornecer ou receber estímulo, ideia, sugestão.
  7. Fazer nascer no coração, no espírito, sentimentos ou pensamentos; sugerir, exalar.
  8. Nutrir-se de uma fonte.
  9. Seguir como modelo.
  10. Sinônimo de imitar, inalar, guiar, aspirar, infundir, iluminar, incutir, transmitir, orientar.

Uma das minhas palavras preferidas, é o lema do blog Flor da Consciência/ Inspirações da vida: “Aprender, viver e inspirar!” 

Lema este baseado no ciclo de uma árvore, que nasce (aprende a ser no mundo com jovem coragem – buscando ensinamentos, fonte que alimenta, um sol que ilumina); que vive (é o que é, vive o que acredita, é no mundo com firmeza, e a cada estação se transforma e se fortifica); que inspira (é no mundo florindo e frutificando, colocando na semente a sabedoria do que aprendeu).

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Venho descobrindo que amo árvores, com seus brotos novos, com sua sabedoria. Árvores me trazem profunda alegria! Elas são minhas musas inspiradoras. 

Lembro-me bem de uma aula de ciências que me marcou para todo o sempre, pela filosofia profunda da fala do professor ao ensinar o ciclo das gimnospermas.  Marcou tanto que se tornou na atualidade um lema da minha própria vida.

O professor dizia que uma semente havia reunido todas as forças, enfrentado adversidades, saído da terra escura, em busca de luz, crescido buscando ser uma ótima planta e saudável, passou a florir trazendo os melhores perfumes, e trabalhou duro arquitetando o melhor design para os frutos, recolhendo os melhores nutrientes, tornando o fruto o mais vibrante, o mais suculento, apetitoso e bonito possível. A planta muito se esforçou para dar o seu melhor e cumprir sua missão. Missão que se ramifica em muitas: ser um abrigo para pássaros, oferecer sombra, alimento, embelezar, umidificar, purificar, proporcionar respiro, etc, benefícios mil. E cumprir sua grande missão de se dissipar, fazendo com que a vida não morra e sim se perpetue.

Esse é um grande desafio para nós: fazer valer a pena a semente que somos, nos esforçar sem medidas; e cumprindo a missão maior, cumprimos muitas e muitas missões.  

O professor dizia: “Quão maior tristeza é a da árvore que recebe a incompreensão daqueles que comeram os frutos, juntaram todas as sementes encontradas neles, e depositaram, enterrando-as, ao pé da árvore dizendo-lhe: “toma que os filhos são teus!”  

A árvore não fez as sementes para morrerem improdutivas debaixo de suas copas, ela fez as sementes para serem lançadas o mais longe possível. Os frutos foram feitos para serem levados com o vento, pelos animais, pela água, por aqueles que os comem. Essa é uma postura de gratidão. A árvore se sente grata àqueles que compreendem o sentido dos frutos: ao mesmo tempo que saciam, levam consigo o gérmen da vida. As sementes precisam ser levadas ao longe para que haja vida em outras terras e para que assim a árvore possa se tornar eterna no tempo e no espaço através de cada semente que brota. A árvore cumpre seu ciclo.

Esse é um princípio altruísta. Aquele que dissipa conhecimentos que recebe, aquele que distribui o bem que possui, aquele que não guarda para si. O que se guarda para si, egoisticamente, morre. Aquilo que se dissipa e multiplica se torna vivo, isso é o importante.

As vezes queremos guardar para nós, conhecimento, dinheiro, comida, família e só viver ali entre aqueles que conhecemos, nós com nós mesmos, nós com meia dúzia de amigos, nós e nossos pais e nossos filhos e já é. Não, não é! Eu que o diga! … que isso muito me ensina e me atento! (As vezes no susto)

Um dia desses ouvi alguém dizer que raras são as pessoas que se tornam conhecidas e famosas eternamente. Dentre bilhões de seres que já existiram e vão existir, alguns nomes e suas histórias ficam na memória. Mas, a maioria é lembrada por três, ou quatro gerações, e é esquecida, porque aqueles que se lembravam deles também passam à morte. Então o que permanece de nós? Não são nossos nomes, nem nossas histórias, nem certa fama; o que permanece de nós é o bem que fizemos a cada dia, nos pequenos detalhes. E esse bem, em primeiro lugar permanece em nós e faz a nossa vida feliz agora. Esse bem se torna eterno, ele influencia vidas e vidas em milhares de séculos adiante. Hoje temos tecnologias, costumes, modos de ser, de falar, pensar, de vestir, comer em nossas vidas que outras pessoas anônimas e esquecidas no tempo há evos influenciaram com suas atitudes diárias. E isso permanece e atravessa séculos. Então, por mais pequenos e anônimos que sejamos nossas atitudes são importantes, elas sim ficam na memória do planeta. Vale lembrar então da responsabilidade de nossos atos. Já vemos que no âmbito micro, a família, os filhos seguem exemplos dos pais. Isso é real. Dramas ou alegrias se perpetuam, são aprendidos, ensinados e consciente ou inconscientemente repetidos, e se espelham no âmbito macro, em formas comuns, coletivas, de um grupo social de ser, fazer e viver – é o que chamamos de sociedade. Logo, muito se começa em nós. Dos bons frutos que recebemos, faz-se necessário dispersar-lhes as sementes em gratidão. O que seria de nós hoje sem os frutos de outros, dos quais nos tornamos árvores? Se queremos que o mundo seja melhor, atentemos que nossos nomes e histórias podem não ser lembrados, mas mesmo assim somos também frutos e sementes e nossas atitudes povoarão o mundo.

Ana Terra Oliveira

Via Láctea (Olávo Bilac)

(Olavo Bilac)

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Sou Pipa nos Céus

Nós somos pipas que a vida segura pelas mãos com o fio do amor. O segredo é aprendermos a plainar serenos para sentir a doçura como ela nos toca a linha. Dá uma direcionada para o lado, e para o outro, e no dizer dos soltadores de pipa, as vezes, “dá de bico”. 

Somos as pipas da vida, somos também crianças a soltar pipas. Qual criança não corre atrás de sua pipa quando o fio se solta? E qual criança que compreendendo os momentos também não a deixa ir para onde quer fluir? 

Quando eu era criança, a primeira pipa que tive era tão bela, tão colorida. Eu e meu pai a construímos com muito cuidado e carinho. Vermelha, com uma rabiola de todas as cores, cumprida, quase maior que o oeste cardeal. E num fim de tarde, quando o sol já ia baixando, e o céu ficando rosado, fomos colocá-la no horizonte. Aplumamos para a minha alegria. Não me esqueço a emoção do momento. Ela voava tranquila em meio aos raios de sol e ao fundo uma serra muito verde, verdinha! Ela parecia tocar o sol. Tenho fortemente na memória aquele céu rosado e a pipa vermelha plainando serena. E foi quando a linha se soltou. Eu menina olhava para ela partindo em um movimento de ir-se lentamente e sumir. Meu coração partiu. E senti como se ela estivesse ido para o outro lado do céu. Eu criança senti a dor da perda.

E foi que voz da esperança veio, meu pai disse: “vamos correr e ver onde ela caiu”. Para a nossa surpresa, ela tinha caído em uma casa abandonada na rua abaixo da minha praça. E adentramos os portões de ferro antigos, muito antigos. E quando vimos, um garoto brincando na areia segurava minha pipa vermelha nas mãos. Ele olhava com um semblante de que havia ganhado um presente dos céus, com cara de menino que nunca tinha visto pipa tão bela. Meu pai conversou com o garoto, tentando reaver a pipa que construímos com tanta dedicação. E me lembro de meu pai concluir: “faremos outra pipa”. Eu senti a perda, porque foi a minha primeira pipa e tão bela. Mas a beleza de tudo aquilo permaneceu. A pipa ficou guardada em meu coração  e também pôde colorir a vida de um garoto.

Eu aprendi a fazer pipa. E soltei pipa por toda a vida, não só vermelha, mas de tantas cores! De manhã quando o vento estava bem animado. Ao meio dia quando não havia vento e aí de repente a surpresa – um vendaval, o vento muda de um lado para o outro, faz um redemoinho e tudo voa. Ah!!! Soltei pipa no fim da tarde junto ao voo das andorinhas se divertindo com as correntes de ar, comendo as milhares de siriricas em voo nupcial. Que espetáculo!  Ah!!! Soltei pipa à noite, quando estava tudo escuro e a gente não via pipa, só estrela; um frio na barriga, do mistério da noite e o grito do morcego, só sentindo o peso da linha, sem ver pipa, só estrela, entre os dedos de nossas mãos, mais nada: só experiência, sensação, imaginação.

E se o disco voador se chocar com minha pipa? E se o cometa passar e levar no rabo dele o rabo de minha pipa? Enrolando a linha, voltou ela do escuro do céu, sem rabo, sem rabiola. Vamos para casa, é hora de dormir, pode ser que passou cometa.

Eu aprendi a fazer pipas, eu aprendi a soltar pipas, eu aprendi a ver estrelas, eu aprendi a viajar com ela para o sol, eu aprendi a me comunicar com extraterrestres. A estar no céu em pipa. Acima de tudo, eu aprendi que o fio que me liga é sutil, sutil e fino o bastante para se romper, mas também sutil e fino o bastante para possibilitar que o voo aconteça e seja livre. E tudo, tudo, tudo é questão de saber dar os toques certos.

Sou a pipa, sou o fio, sou o céu, sou o sou, estamos juntos.

Aquele dia eu senti dor, por ver minha linha se romper, ver minha pipa partir, ver meu sol inalcançável. E foi também o caminho de descobrir como chegar até ele. Pois é!!! Reconheço, eu aprendi a construir minhas próprias pipas, pontes. Aprendi a aplumar, elevar aos céus, dar linha, (dá linha, dá linha, vai…), enrolar a bobina quando necessário (enrola, enrola, puxa, vai…). As vezes dar de bico sem cair, outras vezes deixar que a pipa se vá para visitar e alegrar a vida de outras pessoas. As vezes deixar que certas pipas com problemas de barbela agarrem nas nuvens e fiquem por lá, sem voltar. Outros momentos, puxar forte e fazer a linha se romper para levar embora pipas pesadas de excessos de bambu e pipas tortas. Hihihihi – só gargalhadas faceiras.

Mas é também saber que embora se vão e carreguem seus defeitos, todas as pipas são únicas, experiências e foram amadas desde o dia em que eram apenas projetos de pipa. É daí que surgem as mais belas obras ao vento, e as engraçadas, e as tortas, e as pesadas. A questão é saber estar com elas, e a que fim se vão.

Todas importantes, todas histórias minhas!

Ah! Como é bom! Hoje invisíveis dentro do coração, sou pipas nos céus!

Ana Terra Oliveira