Etimologia da Palavra [Inspirar]

Do Latim INSPIRATIO, “colocar o ar para dentro, inalar, inflamar”, de IN, “dentro”, mais SPIRARE, “respirar”. 

Uma palavra polissêmica, que significa tantas coisas, trás sensações positivas, sinestésicas. Uma sensação de frescor, um alívio, um sentido de liberdade, uma vontade de seguir adiante, se relacionar, conviver com outros, pintar horizontes, contar boas histórias, sorrir, se encantar, sentir o vento, a brisa, as sementes voando.

De múltiplos sentidos:

  1. Colocar ar nos pulmões.
  2. Exercer ou receber influência sobrenatural ou divina.
  3. Exercer ou sofrer influência animadora; entusiasmar(-se), arrebatar(-se).
  4. Estimular, com beleza, encanto, virtudes.
  5. A capacidade criativa de… 
  6. Fornecer ou receber estímulo, ideia, sugestão.
  7. Fazer nascer no coração, no espírito, sentimentos ou pensamentos; sugerir, exalar.
  8. Nutrir-se de uma fonte.
  9. Seguir como modelo.
  10. Sinônimo de imitar, inalar, guiar, aspirar, infundir, iluminar, incutir, transmitir, orientar.

Uma das minhas palavras preferidas, é o lema do blog Flor da Consciência/ Inspirações da vida: “Aprender, viver e inspirar!” 

Lema este baseado no ciclo de uma árvore, que nasce (aprende a ser no mundo com jovem coragem – buscando ensinamentos, fonte que alimenta, um sol que ilumina); que vive (é o que é, vive o que acredita, é no mundo com firmeza, e a cada estação se transforma e se fortifica); que inspira (é no mundo florindo e frutificando, colocando na semente a sabedoria do que aprendeu).

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Venho descobrindo que amo árvores, com seus brotos novos, com sua sabedoria. Árvores me trazem profunda alegria! Elas são minhas musas inspiradoras. 

Lembro-me bem de uma aula de ciências que me marcou para todo o sempre, pela filosofia profunda da fala do professor ao ensinar o ciclo das gimnospermas.  Marcou tanto que se tornou na atualidade um lema da minha própria vida.

O professor dizia que uma semente havia reunido todas as forças, enfrentado adversidades, saído da terra escura, em busca de luz, crescido buscando ser uma ótima planta e saudável, passou a florir trazendo os melhores perfumes, e trabalhou duro arquitetando o melhor design para os frutos, recolhendo os melhores nutrientes, tornando o fruto o mais vibrante, o mais suculento, apetitoso e bonito possível. A planta muito se esforçou para dar o seu melhor e cumprir sua missão. Missão que se ramifica em muitas: ser um abrigo para pássaros, oferecer sombra, alimento, embelezar, umidificar, purificar, proporcionar respiro, etc, benefícios mil. E cumprir sua grande missão de se dissipar, fazendo com que a vida não morra e sim se perpetue.

Esse é um grande desafio para nós: fazer valer a pena a semente que somos, nos esforçar sem medidas; e cumprindo a missão maior, cumprimos muitas e muitas missões.  

O professor dizia: “Quão maior tristeza é a da árvore que recebe a incompreensão daqueles que comeram os frutos, juntaram todas as sementes encontradas neles, e depositaram, enterrando-as, ao pé da árvore dizendo-lhe: “toma que os filhos são teus!”  

A árvore não fez as sementes para morrerem improdutivas debaixo de suas copas, ela fez as sementes para serem lançadas o mais longe possível. Os frutos foram feitos para serem levados com o vento, pelos animais, pela água, por aqueles que os comem. Essa é uma postura de gratidão. A árvore se sente grata àqueles que compreendem o sentido dos frutos: ao mesmo tempo que saciam, levam consigo o gérmen da vida. As sementes precisam ser levadas ao longe para que haja vida em outras terras e para que assim a árvore possa se tornar eterna no tempo e no espaço através de cada semente que brota. A árvore cumpre seu ciclo.

Esse é um princípio altruísta. Aquele que dissipa conhecimentos que recebe, aquele que distribui o bem que possui, aquele que não guarda para si. O que se guarda para si, egoisticamente, morre. Aquilo que se dissipa e multiplica se torna vivo, isso é o importante.

As vezes queremos guardar para nós, conhecimento, dinheiro, comida, família e só viver ali entre aqueles que conhecemos, nós com nós mesmos, nós com meia dúzia de amigos, nós e nossos pais e nossos filhos e já é. Não, não é! Eu que o diga! … que isso muito me ensina e me atento! (As vezes no susto)

Um dia desses ouvi alguém dizer que raras são as pessoas que se tornam conhecidas e famosas eternamente. Dentre bilhões de seres que já existiram e vão existir, alguns nomes e suas histórias ficam na memória. Mas, a maioria é lembrada por três, ou quatro gerações, e é esquecida, porque aqueles que se lembravam deles também passam à morte. Então o que permanece de nós? Não são nossos nomes, nem nossas histórias, nem certa fama; o que permanece de nós é o bem que fizemos a cada dia, nos pequenos detalhes. E esse bem, em primeiro lugar permanece em nós e faz a nossa vida feliz agora. Esse bem se torna eterno, ele influencia vidas e vidas em milhares de séculos adiante. Hoje temos tecnologias, costumes, modos de ser, de falar, pensar, de vestir, comer em nossas vidas que outras pessoas anônimas e esquecidas no tempo há evos influenciaram com suas atitudes diárias. E isso permanece e atravessa séculos. Então, por mais pequenos e anônimos que sejamos nossas atitudes são importantes, elas sim ficam na memória do planeta. Vale lembrar então da responsabilidade de nossos atos. Já vemos que no âmbito micro, a família, os filhos seguem exemplos dos pais. Isso é real. Dramas ou alegrias se perpetuam, são aprendidos, ensinados e consciente ou inconscientemente repetidos, e se espelham no âmbito macro, em formas comuns, coletivas, de um grupo social de ser, fazer e viver – é o que chamamos de sociedade. Logo, muito se começa em nós. Dos bons frutos que recebemos, faz-se necessário dispersar-lhes as sementes em gratidão. O que seria de nós hoje sem os frutos de outros, dos quais nos tornamos árvores? Se queremos que o mundo seja melhor, atentemos que nossos nomes e histórias podem não ser lembrados, mas mesmo assim somos também frutos e sementes e nossas atitudes povoarão o mundo.

Ana Terra Oliveira

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