Arquivo da categoria: Arte e Vida

Dinâmicas que ocorrem em minha vida.

Ana Terra – Uma experiência de reconexão

Uma experiência de reconexão

A mãe é a potente força criadora capaz de gestar, fazer tudo crescer e se expandir.

Atualmente morando em São Lourenço, desde criança, Ana Terra de Oliveira sempre foi incentivada a ler. Morava em uma pequena cidade chamada Pequi com uma única escola infantil, onde sua mãe e tias eram professoras. Ela lembra que faziam atividades na praça em frente à escola e uma delas era passar uma manhã em meio às árvores lendo livros e ouvindo histórias. Outro passatempo era brincar de banca de revista com suas amigas onde elas trocavam livros e revistas todas as semanas.

“Sempre gostei de ler e ver as ilustrações. Elas me levavam para dentro da história junto com as palavras. Sempre ia à Biblioteca pegar livros emprestados e aproveitava para ver minha mãe que ali trabalhava, sentia muita saudade dela. Um dia busquei um livro e corri para casa e li, voltei, devolvi o livro e peguei outro e corri para casa e li, fiz isso três vezes em poucas horas até que minha mãe disse: ‘chega de livros por hoje’. Foi quando escutei alguém dizer: ‘vamos dar um livro bem difícil para ela, assim vai demorar a voltar’”, lembra a escritora.

Ana sempre escreveu diferentes formas de textos não literários. Mas foi em 2011, quando ela experimentou o universo da poesia e tomou consciência da sua vontade de escrever. Na ocasião, ela teve um sonho bem significativo que chamou sua atenção, pois ela ganhava um lápis em forma de coração e era um presente que ela recebia para poder escrever. Então, depois disso ela passou a escrever diariamente.

“Muitas pessoas diziam que gostavam dos escritos e tive muito estímulo. Conheci escritores que haviam publicado livros e surgiu em mim a luz de que eu também poderia publicar. Foi em 2017 que publiquei meu primeiro livro depois de realizar uma campanha de crowdfunding”, conta ela, que realizou há sete anos um processo de escrita terapêutica, pois tem a certeza de que a escrita contribui para a saúde, unindo propostas de serviços que unem a psicologia e a arte.

O livro mostra a figura da Grande Mãe, esse arquétipo do feminino sagrado, que é representado de diferentes formas em todas as culturas, e se manifesta também na figura das Deusas, das Virgens. É uma obra que retrata a energia feminina, que permeia a natureza, e também o interior do ser humano. Os poemas propõem uma reconexão com esse arquétipo, com essas energias, pois a relação saudável de reconexão traz equilíbrio.

Segundo a escritora, as pessoas que já a conheciam estavam curiosas para ver o seu primeiro trabalho literário publicado em formato de livro, pois ela acredita que o livro físico tem seu lugar diferenciado no sentimento coletivo, na psique humana. “O livro é a materialização de algo que pode ser segurado pelas mãos. Mesmo que seja decodificado e experimentado abstratamente é como se estivéssemos trazendo para bem perto de nós. E agora, a medida que as pessoas vão conhecendo o livro, tenho recebido feedbacks positivos”, diz ela, que está atentamente se dedicando a um novo projeto.

“Vivemos na sociedade muito desconectados de nossa essência, reprimimos muito os atributos femininos, não temos tempo para cuidar e amar, estamos muito afastados do contato com os elementos da natureza, não temos consciência e não nos relacionamos com ela de forma a colher os efeitos benéficos de vitalidade e saúde. E por isso vivemos em um mundo tão doente. Então Poemas à Divina Mãe é um convite à reconexão”, explica Ana, acrescentando que o livro foi bem esperado, pois veio de um projeto de financiamento coletivo.

Para Ana, o autor não é muito valorizado financeiramente pelo seu trabalho. “Parece um paradoxo, para o cenário cultural e social do Brasil. Os livros são caros, as pessoas tem poucas condições de adquirirem, e colocá-los dentro de suas prioridades. Precisamos pensar em aspectos financeiros, mas também em criar o interesse pela leitura e ainda mais criar maiores propósitos editoriais”, finaliza, fazendo questão de destacar que o I Encontro de Escritores de São Lourenço e Região foi ótimo, sendo importante para valorizar os escritores, além de possibilitar a troca de experiências e saberes.

http://vivasaolourenco.com.br/ana-terra-uma-experiencia-de-reconexao/

Um pouco de Poemas à Divina Mãe no Jornal

received_224612844866782.jpeg

http://www.correiodopapagaio.com.br/regional/moradora-de-so-loureno-participa-da-25-bienal-internacional-do-livro-de-so-paulo

25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Lançamento de Poemas à Divina Mãe

 

IMG-20180510-WA0038

 

Na Intimidade

Por: Ana Terra Oliveira

Na intimidade há alguns anos:

(Esta entrevista foi uma brincadeira que eu fiz comigo mesma, há 6 anos atrás, quando comecei a escrever e a pensar em poetas, poemas, escritos. Uma brincadeira que hoje se tornou verdade.)  

Entrevistadora: Conte-nos um pouco de como você se descobriu poetisa?

Ana Terra: Eu inventei (risos), meu encontro foi real, claro que foi real, foi a minha experiência, aconteceu na linha do tempo, e ao mesmo tempo, foi minha própria invenção, eu me inventei poeta, e deu certo, porque depois que eu inventei, a vida me revelou e me pregou uma surpresa e disse: “Então, poeta tu serás!”. Eu achei que ela estava brincando, mas ela estava falando sério. E aí eu coloquei o rabo entre as pernas e tive que entrar miudinho na arte. É, a vida me dobrou no laço! Aí eu abaixei a cabeça e fiquei pianinho, pianinho a escrever! Pianinho é quando a gente fica obediente. Eu fiquei pianinho, baixei a cabeça para a poesia mesmo! Então eu pude rir alegrinha. A poesia nos ensina não é? E foi que eu me encontrei, e me encontro todos os dias poeta, sou poeta até nos momentos em que não estou escrevendo. Ser poeta é descobrir o movimento das coisas, as coisas estão vivas e elas falam, dançam, elas conversam comigo, elas me abrem o sorriso, cantam para mim, falam em rima, manhosas, as coisas são muito manhosas! Falam como crianças, as vezes olham com olhos pidões, outras vezes se riem de mim, e há momentos em que são muito sérias, como adultos, até me xingam, me corrigem a direção, as coisas me ensinam a viver, educam o meu espírito rebelde. Por isso eu sou poeta, porque sou uma colhedora de versos, como se colhem flores em um jardim.

Entrevistadora: E como é colher versos como flores?

Ana Terra: Já viu jardineiro cuidando de jardim? Pois é, a flor é a sua alegria. Eu sou poeta porque cuido de jardim, e colho das palavras as flores mais belas. É assim: planto, cuido, aí brota cada botão de rosa!… É como quando a vizinha te olha da janela. Você, só no sorriso, dizendo: “Ôh Dona, posso pegar uma flor aqui para eu poder levar para minha Senhora?”. E escuto aquele falar apressado: “Pó pegá o tanto que ocê quisê aí, porque essas flor estão sem vergonha demais, já nasceu um muntuero, o povo tudo já passou e pegou e agora já nasceu mais um tanto”. É porque flor, eu vou te contar, elas gostam, gostam de nascer em quantidade, só para os “zozoto” levar para casa. É, ser poeta na roça é muito bom, a gente ganha flor igual ganha frutas e verduras.

Entrevistadora: Como é isso de ser poeta na roça?

Ana Terra: Porque vizinho é assim, vou te contar um segredo, e olha que também sou vizinha! Eles plantam no quintal só para dar fartura e para depois irem lá na sua casa no fim de tarde levar um pouco da colheita. É desculpa boba! Desculpa para irem te ver, dar uma conversada. Plantam horta para ter uma boa desculpa para ir te fazer um agrado e conversar. E vou te contar, eles gostam de conversar porque gostam de ficar perto. Então arrumam muitos assuntos. É tudo desculpa boa. (rsrs) É uma brincadeira isso que estou falando, mas a verdade é que ter vizinhos é um convite para amar mais, para se preocupar com o outro, sair do seu mundinho. Eu gosto muito de ter vizinhos assim! O povo diz que gente da roça é boba. E a gente é mesmo, porque a gente é tudo encantado! A gente se encanta com as coisas, com as pessoas e ficamos com cara de bobo. Eu aprendi com eles a plantar só para repartir a minha alegria. Por isso sou poeta, porque da poesia eu me alimento, e me sinto forte, saudável, vitalícia, eu sou vitalícia, me eternizo.

Entrevistadora: Fala um pouco deste “se eternizar” para nós. 

Ana Terra: E se me eternizo… eu me eternizo no meu próprio viver. E eu não escrevo nada muito complicado não moça, eu só escrevo a minha vida. Escrevo o que vivo. E me maravilho. E eu também fico meio boba com o que escrevo. Um dia eu estava na universidade, fui ler um livro na biblioteca, encontrei um amigo, também lendo um livro, fiz questão de ver se o livro era uma indicação da matéria, e achei legal, estava com um livro bem diferente, assim como eu. Saudei e fui para meu assento. Então, esse foi mais um dia em que inventei de ser poeta, eu sentei e fiquei lendo o livro do pequeno príncipe. Sabe, O Pequeno Príncipe, aquele, o amigo da Rosa… A Rosa, aquela… sabe?  (rsrs) Então… eu li, li… era à tardinha. A raposa disse para cativar. Esse dia eu me cativei. Cativei demais que ganhei até presente. Pensei, agora posso fazer aquilo que gosto que é me encantar. Logo, eu olhei pela janela, e vi o solzinho na graminha verde, e o céu azul, sem nenhuma nuvem. E aquelas andorinhas, felizes lá, brincando. Eu pensei: “hora de passear, hora de viajar, hora de ver o sol”. Eu sai e fingi que eu estava passeando igual turista. Eu fiquei admirada com as pessoas, achei muito legal, porque na universidade as pessoas conversam de muitos assuntos diferentes… você escuta um pessoal assim: “porque aquela fórmula era só subtrair cinco, multiplicar e dividir 3”… (rsrs) Aí, você olha na camisa da pessoa, e está escrito: “Engenharia Aeroespacial”. Você então senta no ponto de ônibus, e todo mundo com aquela cara de ponto de ônibus… mas na universidade são caras legais, de quem está entusiasmado para conhecer o mundo. E vê um grupo de amigos na intimidade dizendo: “o Sartre, o Lévi-Strauss …”, é só olhar na camisa… tem gente que não usa camisa, então você olha no livro que ela carrega nas mãos para entender melhor de seu mundo, quando não está em conversação. Tem gente que não carrega livros… e nem tudo é assim tão previsível… e você se maravilha porque é um mistério. “Em que mundo essa pessoa pode estar vivendo?…” Eu fico feliz porque as pessoas estão buscando aprender o melhor, estudar, viver e falam daquilo que vivem e aprendem…isso é bom! E o que é eternizar-se senão viver com vontade? Com isso, eu também aprendo, ou preciso aprender.

Entrevistadora: Esse foi um dia especial para se eternizar! 

Ana Terra: Foi especial! Eu entrei em uma biblioteca muito maior e havia uma exposição do Monteiro Lobato, era 18 de Abril. Eu adoro comemorar datas, e pensei: “Amanhã é dia do índio, depois vem Tiradentes, dia 22 é dia da Terra… dia 23 de São Jorge, e dia 24, será o meu aniversário, e eu completando 25 anos, um quarto de século, e eu estou feliz”. Ah, e fiquei encantada, fiquei lá olhando uns livros, li os livros de Cecília Meireles para crianças… encontrei uns livrinhos de Sônia Café, eu gosto!  Depois eu andei entre as prateleiras, e fechei meus olhos, gosto de mágica… eu gosto de adivinhar, de me surpreender… E de olhos fechados, aleatoriamente entrei em um corredor, e ainda de olhos fechados toquei um livro com meus dedos,  e adivinhem? Era de Érico Veríssimo. O nome do livro comprova que sincronia realmente existe… Ana Terra era o livro. Com uma capa diferente daquele que ganhei quando nasci. O que tenho, tem um desenho de uma mulher, morena, de cabelos negros, está bem velhinho com as páginas alaranjadas, já tem a idade de 25 anos. No caso, depende da perspectiva, se com um quarto de século eu estaria na flor da idade, com um quarto de século meu livro já estava velhinho. Continuando a brincadeira eu fechei meus olhos, passei os dedos no papel e li um trecho: “ (…) dirigia-se para a sanga, equilibrando sobre a cabeça um cesto de roupa suja, e pensando no que a mãe sempre lhe dizia: ‘quem carrega peso na cabeça fica papudo’. Ela não queria ficar papuda. Tinha vinte e cinco anos e ainda esperava casar”. Pois que pensei: “em 5 dias faço 25 anos, não quero ficar papuda, ainda desejo me casar… e se por hora a vida me abre as portas, então que eu fique papuda na folha do caderno e que me case em cada verso, que viaje em lua de mel, e a cada ano comemore bodas até que eu vá para o céu, escreverei poesia até que se me fuja a luz do dia, aqui estou, sou filha, esposa, neta, amiga, sua poeta!”.

E na intimidade hoje:

(Lendo esse texto vejo como a vida realmente nos eterniza, no sentido de que as nossas escolhas presentes criam os caminhos futuros. Se naquele dia eu brinquei de cativar, de me encantar com a vida, de ser poeta, abrindo um livro ao acaso, com o meu nome, e lendo sobre os 25 anos… hoje passados alguns anos, já escrevo livros, sou convidada a cativar pessoas, cuidar das amizades, tenho vizinhos que me trazem frutas e verduras e com eles já troquei flores. Além do mais, me casei em cada verso, mas também, me casei com aquele amigo que encontrei na biblioteca aquele dia, que me lembra O Pequeno Príncipe aprendendo a cativar e amar.  Eu não poderia acreditar, mas eu já estava construindo o meu caminho.) 

“Poemas à Divina Mãe” Onde Comprar?

Onde comprar em Portugal?

http://www.chiadoeditora.com (No campo Livraria)

Se preferir, poderá ainda fazer a sua encomenda em qualquer loja das seguintes cadeias:

Poderá ainda encomendar qualquer obra editada pela CHIADO BOOKS nas livrarias online:

Onde comprar no Brasil?

http://www.chiadoeditora.com (No campo Livraria)

00351 214 093 565 – Segunda a Domingo entre as 11 e as 18 horas, hora de São Paulo.

Se preferir, poderá ainda fazer a sua encomenda em qualquer loja das seguintes cadeias:

Saraiva

Poderá ainda encomendar qualquer obra editada pela CHIADO BOOKS nas livrarias online:

Saraiva

Poemas à Divina Mãe

Curta a página no face!

https://www.facebook.com/poemasadivinamae/