Arquivo da categoria: Inspirações Fantásticas

lindas poesias de outros autores, pensamentos, livros que valem a pena serem lidos.

O segredo é fazer o esforço de abrir de novo

 

Você já fez a limpeza de final de ano?

Escrita Terapêutica

A escrita terapêutica nos aproxima do nosso núcleo central essencial da nossa pessoa, que é saudável, criativo, luminoso. Revela aspectos da nossa psique. Organiza a mente. Faz florescer a consciência e todo potencial interno de bem.

A escrita terapêutica é realizada com crianças, adolescentes e adultos. Esse trabalho transformou a minha vida, são sete anos de prática constante e aqui no meu espaço Psi tem ajudado muitas pessoas a se reconectarem consigo mesmas e mudarem a vida por completo.

Por não amar, coisificamos também as coisas!

“O mundo é cheio de coisas”. Quantos carros são produzidos a cada minuto em um linha de montagem? Pensar em números pode nos dar uma dimensão do tanto de coisas que existem. Já imaginou um carro ser produzido a cada um minuto, a cada 10 segundos? Eu já pensei nisso, e minha mente não conseguiu conceber tal cálculo. Na adolescente visitei com a turma da escola uma grande fábrica de automóveis e fiquei impressionada. Eu não podia acreditar que isso é realidade. Em 24 horas, quantos carros são produzidos? Imagina em um ano! São milhares! E esses milhares serão úteis a quem? E como serão usufruídos? E quantos serão elevados à categoria de “coisificados” por não terem valor, por não serem úteis beneficamente!

Com o tempo, depois de sair da cidade do interior, bem mais para roça do que para cidade, fui viver na grande metrópole, e passei a observar o mundo das coisas. Quantas roupas existem nas lojas! Quantos sapatos nas vitrines! Preços diversificados, estranhos para entender o cálculo dos custos!

Certa vez entrei em um shopping de moda feminina, eram tantas opções, tantos corredores, como um labirinto, e eu fiquei rodando, rodando e não conseguia comprar nada, e não conseguia sair dali, não conseguia nem mesmo escolher, fui ficando ansiosa, ao mesmo tempo que foi surgindo um desejo de obter todas aquelas coisas. Foi então que tentei focar minha atenção no que em princípio eu tinha ido buscar. E foi que consegui comprar os artigos que eu buscava, mas sai dali cansada por uma luta interna que se estabeleceu em mim entre o ver e desejar, ver e desejar, ver e desejar. Então eu passei a perceber com grande nitidez como o desejo é ativado em nós quando adentramos um mundo onde possuir e ter coisas é extremamente estimulado. Não que as coisas não sejam importantes, nunca disse isso, e esse é exatamente o ponto: saber a importância e dar importância necessária às coisas.

A roça onde eu morava ficava perto da metrópole e lá as coisas chegavam. Água, luz, hortaliças, roupas, internet, enlatados, refrigerantes, informações, livros. A questão é também saber escolher, igual à dona que vai à feira em busca dos selecionados. É preciso também saber usar, e é preciso também não se exceder. É preciso cuidar!

Depois de dez experientes anos de incursão na metrópole, voltei a morar no campo, numa casa na área rural, bem daquelas rodeadas por árvores, numa estrada de terra, e eu percebia que ali eu não tinha muitos desejos de ter, eu tinha vontade de ser. Conectada à natureza, eu queria respirar, relaxar, escrever poesias, eu queria aprender, ouvir, pintar paisagens. À noite, olhando as estrelas eu pensava no mistério e na grandiosidade da vida. Isso é o que a natureza pode nos dar: conexão com o ser. E sempre que eu ia à metrópole, alguma vez na semana, e frequentava os centros comerciais das coisas, eu observava o desejo de possuir coisas irrompendo em mim. Logo, eu vejo o qual é perigoso passar pela vida sem cuidar de como nos expomos ao mundo. Bombardeados todos os dias para ter coisas, para possuir, para desejar.

Não é um ter com consciência do que é necessário, é um ter onde as coisas perdem o seu valor. São tantas as coisas e objetos que nenhum deles tem valor. Perdemos o amor. O amor com o qual avaliamos a nossas necessidades. O amor com o qual vibramos para conquistar aquilo que nos é necessário. O amor para cuidar daquilo que nos é útil. Se me é útil um objeto ou coisa o razoável é que eu cuide para que a utilidade da coisa tenha longa vida.

Costumamos dizer que nas relações atuais tudo é descartável, tudo é transformado em coisa, tratamos também as pessoas como objetos, no sentido de que tiramos delas a dignidade, o valor, a consideração e o respeito. Coisificar as relações humanos. Coisificamos as pessoas. Coisificamos a natureza. Coisificamos os animais. E tudo isso porque também coisificamos as coisas. Tiramos o valor e ficamos só com o lado mais material da coisa, talvez com a aparência da coisa, ficamos no vazio. Quem sabe dizer, ficamos com a massa vazia, a aparência e o pó. Talvez por isso temos tanta ânsia e tantos desejos por ter e ter e possuir mais e mais. Uma vida sem sentido, é uma vida vazia e cheia de coisas e relações vazias. Repito, tudo isso porque também coisificamos as coisas. E se um dia coisificamos por não amar, se amarmos também as coisas e cuidarmos delas com amor, também iremos resgatar o amor pelas pessoas. Resgataremos o valor da vida.
Eu adoro saber a origem das coisas, porque tenho grande necessidade de valor, de sentido. Eu tenho certos prazeres em saber de onde as coisas vem, porque as origens contam histórias, os percursos contam histórias e as histórias nos trazem sentidos e compreensões. A consciência das origens nos faz escolher caminhos, caminhos que dão às coisas novas direções ou fortalecem seus sentidos de ser. É então buscar o ser na relação com coisas sem coisificar, buscar ser com as coisas, para que o ter não seja vazio, violento e contaminado.
Eu me lembro do meu primeiro pijama que minha mãe encomendou à vizinha costureira, era verde de florzinhas. E pasmem: ainda hoje dormi com ele depois de 25 anos. Ainda me lembro de um vestido que minha mãe encomendou à costureira para eu ir à praia, era todo de margaridas. Eu me lembro de muitas roupas que usei na infância e juventude, pois elas tinham muito valor, e memória, e história. Não que não possamos ter novas coisas, e coisas diferentes, nunca disse isso. Digo do amor. Digo do amor quando as coisas são amadas e cuidadas com amor e reconhecidas como úteis. Não que não possamos passar adiante o que não nos serve mais, nunca disse isso. Digo do desapego do amar, que é cheio de gratidão. Gratidão às coisas que nos foram úteis.

Talvez resgatar o valor das coisas nos ajude a ser mais humanos, a preservarmos o planeta, por amarmos cada pedaço de terra e oceano e coisa e criação que não são nossos, mas é responsabilidade de cada um cuidar com respeito.

Por não amar, coisificamos também as coisas, e entendo assim: por displicência no amar, não amamos. É chegada a hora de deixarmos de displicência, de negligência e estarmos mais atentos, atentos no amor, presentes para amar. Sem tanto coisificar e mais abençoar, dignificar, valorizar.

Se eu fosse eu – Clarice Lispector

Aprendendo a controlar as emoções

Mulheres poderosas [em cordel]

Os Reis Magos

Cantiga dos Reis

Santos Reis, santos coroados
Vinde ver quem vos coroou
Foi a virgem, mãe sagrada,
Quando por aqui passou.
O caminho era torto
Uma estrela vos guiou
Em cima de uma cabana
Essa estrela se pousou.
A cabana era pequena 
Não cabiam todos três;
Adoraram Deus-Menino
Cada um por sua vez.
Cantiga Popular de Barcelos,
recolhida por Luísa Miranda

A História

Num país distante viviam três homens sábios que estudavam as estrelas e o céu. Um dia viram uma nova estrela muito mais brilhante que as restantes, e souberam que algo especial tinha acontecido.

Perceberam que nascera um novo rei e foram até ele.

Os três reis magos, Gaspar, Melchior e Baltazar, levavam presentes, e seguiam a estrela que os guiava até que chegaram à cidade de Jerusalém.

Aí perguntaram pelo Rei dos Judeus, pois tinham visto a estrela no céu.

Quando o rei Herodes soube que estrangeiros procuravam a criança, ficou zangado e com medo. Os romanos tinham-no feito rei a ele, e agora diziam-lhe que outro rei, mais poderoso, tinha nascido?

Então, Herodes reuniu-se com os três reis magos e pediu-lhe para lhe dizerem quando encontrassem essa criança, para ele também a ir adorar.

Os reis magos concordaram e partiram, seguindo de novo a estrela, até que ela parou e eles souberam que o Rei estava ali.

Ao verem Jesus, ajoelharam e ofereceram-lhe o que tinham trazido: ouro, incenso e mirra. A seguir partiram.

À noite, quando pararam para dormir, os três reis magos tiveram um sonho. Apareceu-lhe um anjo que os avisou que o rei Herodes planejava matar Jesus.

De manhã, carregaram os camelos e já não foram até Jerusalém: regressaram à sua terra por outro caminho.

José também teve um sonho. Um anjo disse-lhe que Jesus corria perigo e que ele devia levar Maria e a criança para o Egipto, onde estariam em segurança. José acordou Maria, prepararam tudo e partiram ainda de noite.

Quando Herodes soube que fora enganado pelos reis magos, ficou furioso. Tinha medo que este novo rei lhe tomasse o trono.

Então, ordenou aos soldados para irem a Belém e matarem todos os meninos com menos de dois anos. Eles assim fizeram.

As pessoas não gostavam de Herodes, e ficaram a odiá-lo ainda mais.

Maria e José chegaram bem ao Egipto, onde viveram sem problemas.
Então, tempos depois, José teve outro sonho: um anjo disse-lhe que Herodes morrera e que agora era altura de regressar com a família a Nazaré à sua casa.

Depois da longa viagem de regresso, eles chegaram enfim ao seu lar.

Fonte: http://www.historiasinfantis.org/os-tres-reis-magos/

Paramahansa Yogananda – Um Poeta da Luz

SAMADHI

 
Levantados os véus de luz e sombra,

Evaporada toda a bruma de tristeza,
Singrado para longe todo o amanhecer de alegria transitória,
Desvanecida a turva miragem dos sentidos.

Amor, ódio, saúde, doença, vida, morte:
Extinguiram-se estas sombras falsas na tela da dualidade.

A tempestade de maya serenou
Com a varinha mágica da intuição profunda.

Presente, passado, futuro, já não existem para mim,
Somente o Eu sempiterno, omnifluente, Eu, em toda parte.

Planetas, estrelas, poeira de constelações, terra,
Erupções vulcânicas de cataclismos do juízo final,
A fornalha modeladora da criação,
Geleiras de silenciosos raios X, dilúvios de eletrões ardentes,
Pensamentos de todos os homens, pretéritos, presentes, Futuros,
Toda folhinha de grama, eu mesmo, a humanidade,
Cada partícula da poeira universal,
Raiva, ambição, bem, mal, salvação, luxúria,
Tudo assimilei, tudo transmutei
No vasto oceano de sangue de meu próprio Ser indiviso.

Júbilo em brasa, frequentemente abanado pela meditação,
Cegando meus olhos marejados,
Explodiu em labaredas imortais de bem-aventurança,
Consumiu minhas lágrimas, meus limites, meu todo.

Tu és Eu, Eu sou Tu,
O Conhecer, o Conhecedor, o Conhecido, unificados!

Palpitação tranquila, ininterrupta, paz sempre nova,
Eternamente viva.

Deleite transcendente a todas as expectativas da imaginação,
Beatitude do samadhi!

Nem estado inconsciente,
Nem clorofórmio mental sem regresso voluntário, 

Samadhi amplia meu reino consciente
Para além dos limites de minha moldura mortal
Até a mais longínqua fronteira da eternidade,
Onde Eu, o Mar Cósmico,
Observo o pequeno ego flutuando em Mim.
Ouvem-se, dos átomos, murmúrios móveis;
A terra escura, montanhas, vales são líquidos em fusão!Mares fluidos convertem-se em vapores de nebulosas! 

Om sopra sobre os vapores, descortinando prodígios.

Mais além,
Oceanos desdobram-se revelados, eletrões cintilantes,
Até que ao último som do tambor cósmico,
Transfundem-se as luzes mais densas em raios eternos
De bem-aventurança que em tudo se infiltra.

Da alegria eu vim, para a alegria eu vivo, na sagrada alegria,
Dissolvo-me.

Oceano da mente; bebo todas as ondas da criação.

Os quatro véus do sólido, líquido, gasoso, e luminoso,
Levantados.

Eu, em tudo, penetro no Grande Eu.

Extintas para sempre as vacilantes, tremeluzentes sombras,
Das lembranças mortais:
Imaculado é meu céu mental – abaixo, à frente e bem acima;
Eternidade e Eu, um só raio unido.

Pequenina bolha de riso, eu,
Converti-me no próprio Mar da Alegria.

Minha Chegada à Antiga-Nova Terra da América
Memórias adormecidas

De amigos outra vez a encontrar
saudaram-me – a mim, viajante de além mar –
Pois sentiam que eu viria
À terra dos Peregrinos para a ela prestar culto.
A praia adormecida é só um vulto.

Desfeita a luz do dia, seus contornos distantes
Desmaiam sob estrelas cintilantes.
A brisa sopra forte sob o céu.
Ideias inesperadas
Me invadem de esperança em tropel,
Suaves, doces, ricamente trabalhadas.
O corvo triste da melancolia
Pousou na minha mente. A alma ele queria,
A fim de minhas forças vencer pelo receio.
Então eu vislumbrei multidões e, no seu meio,
Alegre contemplei diáfanos amigos
Que agora vinham para estar comigo
Em jubiloso clamor.