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Feliz Janeiro

Janus com duas cabeças

A tudo vê!

O futuro, jovial e belo

O Passado, sábio e velho

Separa o que se foi do que está por vir

Filho de creusa e apolo

Com as chaves na mão

Abre as portas do céu

Fecha os finais

E abre os começos

 

Com duas caras, em trânsito

Reina nas indecisões

Indaga à dúvida, mortal dualidade

Uma fala a verdade

A outra, mentiras aponta

Ensina que para tudo há escolha

Benevolente firma decisões

Reina nas transformações

Aprimora os cultivos

Criando suas leis, conjuga a paz

 

Que venha janeiro

Ao som de lampejos

De um novo sol a raiar

Amante da Jana Lua

Uma deusa com suas faces

Que arredonda os caminhos

De janeiros a seguir Janus

Tempo propício para o início

De uma época de ouro

Mas…

 

Seja honesto contigo

Pacífico com povo e abundante

É o primeiro dia do ano

Também será um dia o último

Oh Janus, tão dual!!!

Entre o ódio e a trapaça, o caos e a mordaça

A plenos pulmões clama novas decisões

Preciso é conhecer suas faces

E ficar com o que é bom

Feliz Janeiro

 

 

O Milagre do Natal – História para acordar o Amor

Desde quando José e Maria saíram para a longa viagem a Belém muita coisa aconteceu! Talvez se você visse não acreditaria, mas a verdade é que aconteceu. Talvez não tantas grandes coisas aos olhos dos homens, mas as coisas grandes aos olhos de quem consegue ver além, olhos de quem consegue reconhecer milagres. Sendo pequenos, ou sendo grandes, isso não importava, o que se sabe é que Milagres são reais e acontecem todos os dias.

Naquela época, Maria já estava bem barriguda, esperando seu filho Jesus, tinha passado uma feliz gravidez na companhia de sua prima Isabel. Voltando à casa, o que Maria esperava era poder estar na tranquilidade do lar, junto com sua família. Mas o que Maria não sabia era do imprevisto que ocorrera e que o destino mudaria os planos. Era que José precisaria, por decreto real, viajar até Belém para a contagem do Censo. Claro que Maria, como toda mulher, preferia ficar em casa aos cuidados de suas amigas, comendo frutas doces e recebendo massagens nos pés e um banho de flores. Toda mulher gosta de mimos, e ainda uma mulher grávida já quase nos dias de ganhar.

Mas como Maria decidiu fazer a vontade de Deus, não havia outra alternativa senão seguir viagem com José até Belém. José não encontrou passagem, mas não tinha como cancelar a viagem, o único jeito era montar no burrinho e seguir a diante junto com a caravana de comerciantes, pois Maria sabia que aquilo que a gente não entende pode até nos deixar nervosos e frustrados, mas haveria de ter algo bom, um sentido maior. Maria era mulher de muita fé.

O burro não era lá o meio de transporte mais confortável e ainda mais para uma grávida já nos dias de ganhar. Até que o bichinho era manso, mas a cada passada do animal uma dor de um lado ela sentida. A barriga já estava bem grande. Maria aguentou bastante, nem reclamou para José, silenciosa seguiu admirando a paisagem. As vezes fazia até uma cara de paisagem. Até que eram bonitas aquelas árvores pelo caminho, o sol a brilhar no céu e ela ficava a admirar aquele povo em grande fila, na estrada, mulheres com seus véus carregando as crianças e homens carregando seus produtos para vender no mercado da grande Belém.  Maria ficava a  imaginar como seria o rostinho de Jesus, como seriam seus cabelos, e ele até dava sinal no ventre de que ouvia seus pensamentos. Quando o bicho pisava em uma pedra, ou descia uma ribanceira, ela respirava fundo. Mas aconteceu que no meio do caminho, Maria ficou enjoada. José quis parar, mas Maria pensou ser melhor seguir à diante para não perder a caravana junto a toda aquela gente.

A dor das passadas do burro foi aumentando!

Maria sentiu muitas dores!

Dores insuportáveis, parecia que o parto ia acontecer ali. Maria chegou a gemer e gritar de dor. Maria podia não mais suportar, mas como decidiu fazer a vontade de Deus, um milagre aconteceu. Naquele instante o ventre se iluminou, Jesus acordou,a mãe e o menino conectados estavam, e Maria sentia alento. Agora não mais parecia que era o burro que a levava, sentia que flutuava em uma nuvem bem fofa, que por certo, para aquelas bandas não haveria, pois que o clima era dos mais secos. É por isso que dizem que mulher grávida sente a maior dor do mundo, mas que também as grávidas tem seus momentos de plenitude, que somente uma mulher grávida sabe descrever.

A viagem era longa, já passavam-se os dias, e Maria?

Maria sentiu fome.

Sabe como é fome de mulher!  Mais ainda grávida! Dizem que desejos de grávida tem que ser atendidos, senão o menino… Ah o menino…Mas por ali, iguarias não haveria. Maria, com aquele jeito dengoso só perguntou para José se tinha ainda algum pão, tentando ver se o marido teria… algum chocolate? Não, não, naquela época o homem nem tinha descoberto as américas e, por certo, chocolate não existia. Só um pão seco e duro havia, mas resolveu confiar que o menino não nasceria aguado. E como Maria decidiu fazer a vontade de Deus, mais um milagre aconteceu. Naquele instante, na beirada da estrada, como de um nada, de arbustos ressequidos e espinhentos, diante dos olhos e para a alegria do povo, figueiras deram frutos, a tamareira ficou carregadinha, e a parreira rosada de uvas. Ninguém suspeitava como aquilo havia acontecido, e o povo festejou e ficou muito feliz. Maria sorriu alegre,  e Jesus danado no ventre, comeu frutas das mais graúdas. Maria tinha certeza, seu filho nasceria muito doce. Muito dócil seria. 

Maria estava tão feliz que não viu a gente se afastar… o  povo resolveu se apressar, pois queriam chegar logo a Belém antes mesmo do anoitecer, estavam ávidos para vender seus produtos. Maria estava já bem cansada, o burro mais frouxo ainda, não conseguiriam seguir a caravana, e viu a gente sumindo e naquela estrada sozinhos ficaram. A noite caiu na maior escuridão, o frio era muito. Coisa de deserto. Não havia ninguém, ruídos estranhos se ouviam. E Maria sentiu Medo. Um medo profundo! Percebeu que o marido também sentiu medo.

Desta vez Maria não disse nada, para não assustar o esposo… mulher sabe quando fazer silêncio.

Mas como Maria decidiu fazer a vontade de Deus, e vocês agora já sabem, naquele instante mais um milagre aconteceu. Foi que no céu escuro e tenebroso apareceu… o quê? Um tanto de estrelas, a piscar, pisca-pisca as estrelas, o céu se iluminou e não se sabe como mais quanto mais piscavam canções iam surgindo e os pássaros acordaram e em revoada vieram em bando, em voos dançantes, como um balé, vieram levar o medo embora. Foi o primeiro balé que o mundo conheceu. O primeiro pisca-pisca criado, não pelos chineses, mas por Deus. Os corações de José e Maria sabiam que sozinhos não ficariam, Jesus era a luz e a alegria do Mundo. Deus Conosco. E tudo de bom faria!

Por  tudo aquilo já valeu aquela viagem!

O que Maria não sabia era que outros desgostos teria… Até o fim dos tempos?

“Mais que desgostos são as alegrias!!!” . Era o que pensava Maria!

Mas naquela hora, uma pontinha de descosto talvez aconteceria. Eles chegaram a Belém, talvez Maria sonhasse com um hotel cinco estrelas… cinco estrelas? Muito pouco para Maria, que já teve um céu inteiro. Mas a questão era que nem uma hospedaria mais ou menos havia. A cidade estava lotada!  

Nada de banheira de hidromassagens, spa com argilas, e escalda pés com óleos essenciais. A barriga já dava sinal. Nenhuma parteira disponível na aldeia. Não seria de parto Natural que Jesus viria ao mundo. 

José estava injuriado, talvez apavorado, uma gruta foi o indicado para hospedar Maria, que consolou o Marido: Calma José, Jesus quer nos dar sua lição, o amor virá ao mundo simples e humilde de coração.

Não foi assim tão fácil, teve que bater um bom papo com o pastor de ovelhas, contar toda a sua história, de onde vem para onde, de quem era filho, onde trabalhava, etc…  para o pastor  emprestar um pequeno espaço, nem que fosse perto da porteira. Mas um pastor de ovelhas, você sabe, não deixa ninguém na mão e mandou chamar suas mulheres para ajudar a virgem. 

O que ninguém viu foi quando Maria entrou na gruta buscando seu lugar ao lado das vacas, bois, cavalos e ovelhas, os anjos já estavam postos no invisível. Um coro de harpas e sinos se preparava para tocar algumas canções em louvor. E quando Maria se acostou na palha da gruta, a palha se encheu de flores brilhantes, o chão ficou cheio de rosas, em meio ao Milagre Jesus Nasceu. Apesar de todas as dificuldades, Maria estava pleníssima. José não se continha de emoção. Os animais sorriam com suas bocas. Era tanta alegria, o amor se materializou. Naquele momento, por um instante de presença, o amor acordou nos corações de todos homens e mulheres da Terra.  Jesus veio ao mundo para acordar o amor em nós. É o milagre. Um presente de Deus para este mundo!

E dizem que existe na face da Terra três tipos de pessoas:

1)Aquelas que temem o amor, com medo se machucam e machucam os outros, não recebem os presentes  que a vida dá.

2)Aquelas que desconectadas do amor, não percebem os presentes que a vida dá, vivem muito desatentas.

3)E aquelas que aceitam o Amor, estas recebem os presentes com alegria, distribuem para os outros.  Estas vivem Milagres.

Eu sei que todos os dias acordamos uma destas pessoas em nós. 

Se você acha que o amor está meio dormindo dentro de você, se você ficar com o coração bem aberto, na noite de natal um sino que toca 3 vezes para acordar o Amor. É o grande milagre, a lembrança de que o amor existe e pode inundar seu coração.

Esta história chegou ao fim, agora saiam pelo mundo e contem esta história pra todos que vocês encontrarem, pois Milagres são reais, e é Natal! 

Esta escrita por Ana Terra Oliveira 

Wislawa Szymborska

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O balãozinho azul

O menino que carregava água na peneira – Manoel de Barros

O Evangelho Essênio da Paz

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