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A linguagem poética nos traz sentidos múltiplos para a vida, que nos chegam através de palavras, mas também por imagens e gestos.

Escrever também é uma Dádiva

Meu Dom, minha fortaleza

Por Ana Terra Oliveira

Um dia eu estive chorando com uma pessoa. Eu narrava para ela todo o meu sofrimento, toda a minha luta para não ser quem eu sou, sem sabê-lo. Eu estava negando… eu faço um esforço danado para ir contra meu coração. Então, com compaixão ela disse: “Ana, você tem um dom, dom é aquilo que você não pode deixar de fazer, senão sua alma morre, não importa o que aconteça, se você acorda de manhã e está triste, se você acorda e está alegre, se você acorda e acha que tudo está errado, isso não importa. Siga, e faça o que você já sabe que tem que fazer”. Eu perguntei: “Como eu vou saber se estou fazendo a coisa certa?” Ela respondeu: “Quando você puder respirar”. Aquelas palavras acalmaram meu coração, carreguei aqueles dizeres como benção e votos de que eu encontraria verdadeiramente o pote de ouro. Ela se despediu dizendo: “Vou rezar para Nossa Senhora, Advogada Nossa”.

Eu estava toda rígida, toda doída, toda encolhida. E a primeira coisa que fiz ao sair dali, foi me esticar, me alongar, abrir os braços e balançar minha saia. Eu dancei sozinha. Abracei as árvores.

Depois de tanto tempo, hoje ando aceitando que meu mundo seja cor-de-rosa. Porque meu mundo assim o é. Há quem me critique que viver no mundo cor-de-rosa seja uma alienação. Eu assim digo, alienado é quem não vê o rosa do mundo. O rosa das bênçãos, das oportunidades. Digo e reconheço: meu mundo é cor-de-rosa. Eu comecei a observar as cores, e neste caminho descobri um coração poeta, descubro também que sou pintora. Descubro as cores do mundo e ando restaurando a pintura da minha vida. Bom mesmo é pintar a própria vida escrevendo.

Eu penso, escrever é fácil, o difícil é se conectar com a alma que escreve. O difícil é estar alegre e disposto a ponto de escrever. E descobri que para escrever é preciso se conectar com a alegria, a motivação interior. Então descobri: escrever é igual meditar. No início é abobrinha, depois a alma começa a aparecer e a abobrinha dá flor, frutos e sementes… e eu posso alimentar meu espírito. Então eu descobri: escrever para mim é o caminho de encontro interior.

Quando eu escrevo eu me conecto comigo mesma, com minha essência, com o meu ser, com as boas lembranças, com as virtudes. Por isso, quando eu escrevo, não tenho medo de ser julgada, eu sou muito corajosa, e eu me abro, me apresento, e me desvelo: “Bom dia, as virtudes se encontraram em mim!”.  Eu vou me abrindo como brancas margaridas, sorrindo, de cara amarela,  que saúdam esperançosas os raios de sol.

Quando eu escrevo eu me conecto, estou presente, eu não aceito qualquer pensamento, não aceito qualquer ruído, eu quero música. Há quem adore o que sai do Inconsciente. É também importante. Porém amo a luz da consciência, porque o escuro nunca está assim tão sozinho. O meu escuro hoje tem esperanças, meu escuro não anda mais sozinho.

Quando eu escrevo eu rio e me divirto das coisas que escuto na minha cabeça, cada abobrinha… mas aí eu busco as flores, eu busco as sementes, e busco os bons frutos.  É verdade, poetas escutam vozes. Afirmo com convicção, poetas escutam vozes.

Quando eu escrevo eu tenho tentação, mas estou tão interessada na flor, que certos pensamentos são bobos e insustentáveis. A tentação tenta corromper minha poesia como estratégia para corromper a minha alma. Vocês podem dizer, caros especialistas: “olha a perseguição aí…” Mas eu afirmo com convicção, poetas escutam vozes. Mas quando eu escrevo, eu sou forte. Eu tiro sarro de alguns pensamentos, mas logo penso, devo ser compassiva com eles. A tentação é infeliz porque ela não sabe escrever. Porque eu escrevo. Eu escrevo para a vida. E para ela envio minhas correspondências. E recebo inspirações. Ela me colocou em um mundo cor-de-rosa. Ela me deu um dom. Ela me deu um escudo,e me fez guerreira. Ela me deu um coração poeta. Ela me deu formas de lutar contra a indiferença, contra os olhos opacos. Ela me deu formas de vencer a tentação, em favor de minha alma, e de dizer ao mundo, que no mundo há rosas!

Poemas Debaixo do Pé de Ipê

O Primeiro:

O Periquitinho e a flor

Periquitinho canta canta
Come flor, flor e se foi…
Caiu…
Aqui embaixo
Agradeço
O Presente do céu

O Segundo:

Agradecimentos
Poema para Cecília

Cecília, aqui estou
Com seu ensino
No instante
E a minha vida está completa
A tristeza passou
A alegria vai sendo
O sol vai indo
A lua ainda não vem
O coração compreende
Satisfeito canta
É preciso ser poeta
E Fazer da vida um Bem

Eu vejo o instante 
Perfumosas flores
Simples e belas 
Caindo ao chão!

 

Ana Terra Oliveira