Arquivo da categoria: Fotografia Poética da Ana

Adoro fotografar, adoro colher mensagens dos instantes. Esta sessão possui fotografias originais com pequenas frases e reflexões que se combinam, contam histórias!

E chuveu!

Fotografia poética da Ana:

I

No céu de casa, todo mundo tá em casa, todo mundo espera em casa, porque todo mundo tem céu!

II

Será que vem do céu? 

 

E num é que sustou? Parece até disco vuador:

o povo oiándo pro céu a desvendar um enigma. 

O que é aquilo que vem chegando?

E num é que parece nuve?

Será que é? Nuve é coisa rara de aconticer!

Tomara que caia, pois se cair, vai receber prima vera:

é o que dizem os antigo, no modo de pensar de aqui.  

Ó meu Deus do céu! Será? 

Ó meu Deus do céu! Os bicho uriçó!

Inté onti não apariceu, será que é hoje?

Chuveu terra seca, fino pó

Chuveu poeira, aspersão

E principia, a nuve.

 

Ó mãe, desce do céu, desce para nós fazer canção,

pingando chão, fazendo roda, girando saia,

dançando barro, pisando poça, de boca aberta, enchendo a veia.

Veia da terra, a veia do coração, veia de rio, veio de mineral.

Veio de cristal, gota mole, gota dura, briando à luz da lua.

Alegria a correr buscando latas…

Latas de goteira… manda espalhar essas vasía no terreiro…

A céu aberto, ó goteira abençuada! 

Ó mãe, desce do céu pra nós fazê prosa.

Vem que vou fazer um bolo. 

Vem que é tarde, e já é hora, anoitece. 

Ó meu Deus do céu, e chuveu! 

Chuveu nuve, bem cheia, gordinha.

Não é sonho, é chuva! 

Ó meu Deus do céu, chuveu!

Eu ouvi, gota caiu no tambor

Eu pressenti, gota respingou folha dura 

Eu vi com meus óio que a terra há de beber!

Bebê água, bebê com sede, beber com vontade.

Bebe terra, bebe! Bebe com gosto, bebe com saudade, 

bebe com gosto de vontade. 

Ó mãe, chuveu, chuveu em mim:

óios d’água, garganta apertada de seca, lábio em ladainha.

 

Aqui na espera! 

E será que vem hoje?

Ó meu Deus do céu. Vamos fazer o bolo, que se ela chegar, 

já vai estar no forno. 

Na espera chuveu. 

Chuveu na espera! Ó coisa boa!

E gotejou! E chuviscou! 

Ó mãe, desce Deus do céu, que tem bolo, tem prosa, 

tem verso, tem saudade, tem vontade, tem espera, 

tem susto de disco vuador, e tem encanto, tem valor. 

Aí que a gente pensa: oiándo para o céu, nuve é coisa chic,

coisa rica, luxo, valor.

Ó gota abençoada, vale ouro! 

E chuveu! E chuveu, vamos agradicê porque chuveu,

Vamos dançar porque chuveu! 

E fazer suco para acompanhar o bolo,

na lata biscoito, ou seria café?

Fica a vontade, tá servido?

Ó mãe, pode chegar, fale mais, cedo ainda. 

Dorme aí, amanhã vai ter viola e canção. 

Ó coisa boa, mas será que ela vem?

E chuveu!

Vem, vem, vem sim! Se ela diz que vem, virá!

Ela disse?

Vamos esperar pra ver! Se não vier deve ser que eu me enganei. 

Divia ser outro dia que ela falou que viria. 

Mas ela vem! E chuveu!

Eu vi, cê viu? Eu vi. 

Eu também. Ó beleza! Coisa abençoada né?

Só sei que é bunito demais! 

E gotejou, chuviscou, e chuveu grande!

Ela viria e veio. Veio de quê?

Veio de água, água véia, pra moça ficar feliz. 

Ó coisa boa: coisa gostosa de ouvir, será que vem do céu?

Vem, vem sim!

Ó coisa boa! Hi hi hi hi…

 

 

 

 

 

Saber Ser Grande!

“Na vida podemos ser grandes naturalmente, isso faz parte de nosso potencial, fazer valer a grandeza interior, não é preciso artificialismos. Esse só envenena! Sejamos quem somos naturalmente”
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Fotografia Poética

Entre galhos e folhas, os pés deslizam os sapatos em pedregulhos. Fragmentos de rochas rolando em despenhadeiro. Olhos de águas brotando em filetes. Águas se ajuntam em fileiras. Dançam embaladas pelo vento. Correm gota a gota de mãos dadas. Cresce o espelho d’água entre verde, campos rupestres, árvores retorcidas, pássaros singelos a piar, ruídos ao longe. Espelho refletindo um céu azul, com nuvens algodoando em branco, fofas, macias, mantos que cobrem luzes, que seguem a perfurar com raios brilhantes trazendo as 12 horas do dia. Neste estado de maravilhas, a natureza é dona do espetáculo, é anfitriã daqueles que visitam suas paragens. Logo, a contemplar o silêncio, a respirar enchendo os pulmões de vida. Em um instante de pura alegria e bem-aventurança linda flor precipita em águas. Deixando-se guiar, sem se perder, vive no agora um encontro de cores, transparência e luz. E eu ali, com sorriso resplandecente colho a experiência de desfrutar dos segundos do presente. Presente foi sentir paz! Sublime, deixar passar, seguir o caminho e levar comigo forte e doce impressão.
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Fotografia Poética

Por Ana Terra Oliveira

De repente, a vida surpreende com alegria e cores. Somos herdeiros da beleza. Somos merecedores do bom. Sem agressão, sem imposição, sem fazer valer a qualquer custo. A vida acontece naturalmente e o belo que nos é de direito é questão de olhos abertos, corações presentes e sorrisos de reconhecimento e gratidão.

Tudo é oportunidade!

Fotografia poética da Ana

“Quando minha caixa de linhas caiu no chão, meu mundo desabou em cores. Pensei: Ufa, que alívio! Em tudo há beleza!”

Presente que não se compra, chega aos milhares. Traz alegria que não se vende, pois que se torna presente no coração que reconhece os pequenos milagres e contagia!

Fotografia Poética de Ana Terra

Foi em uma manhã de natal. Eu acordei e depois de ouvir os sinos, os pássaros já cantavam lá fora, o sol começou a sair. E toda criança em uma manhã de natal quer logo correr para a lareira ou para o sapatinho colocado atrás da porta na expectativa de encontrar seu presente de natal ali deixado, com uma etiqueta com seu nome. Isso é o mágico! E foi que eu logo reconheci meu presente. Não corri para ver os sapatinhos, afinal meus sapatos já não eram tão pequenos. Em minha casa não havia lareira alguma, afinal, ali era verão, o verão mais radiante e cheio de sol. E foi que abri as janelas e logo incrível alegria me invadiu. Eu pensei: esse é o meu presente, o mais bonito desta manhã de natal, um presente que vem aos milhares, em abundância. E claro, minha alegria foi abundante, logo corri para o meio de todas aquelas flores, ouvindo o som de abelhas em zum zum zum. Ninguém havia expressado o êxtase de tal beleza, todos em suas casas calmamente. E eu alegremente dançava na rua. Logo miradas surgiam das janelas, mulheres abriam as portas. Criança e passantes passaram e observaram, e comigo pousaram para fotos. Foi incrível!

 

Roupa na cerca secando ao sol é sinal de que há vida!

Fotografia Poética de Ana Terra

Esta foto foi de um momento em que estendendo as roupas na cerca de casa eu me senti muito alegre, estava um dia lindo, um sol brilhante, tudo estava verde e feliz. Foi que eu me lembrei de quando morava em apartamento e as roupas ficavam dias molhadas secando à sombra e não podiam ser vistas em meio a tantos quadrados de concreto entre paredes e ruas. Quão grande foi minha alegria quando minhas roupas secaram ao sol. Elas pareciam cheias de vitalidade. A sensação que tive foi que em minha nova casa havia espaço para respirar, um habitat com espaço para ser ser-humano. Bom essa é uma reflexão de que nós precisamos nos dar o espaço para ser ser humano, exercer humanidade, os atributos de humanidade de uma vida que caminha em busca da bondade. Daí surgiu a frase: Roupa na cerca secando ao sol é sinal de que há vida!
Em muitas casas pessoas secam as roupas ao sol, mas não há vida, pode haver briga, pode haver desumanidade. É por isso que para ver o mundo é bom ser poeta e sintonizar com o sentido, com a energia presente. Essas roupas estão impregnadas do sentido da vida, porque ali havia uma pessoa que se alegrava ao simples ato de estender roupas!