Po-e-sia

Objetivo:

Esta página tem o objetivo de transmitir uma mensagem de paz e de esperança. Refletir sobre o homem e os caminhos de acompanhá-lo em seu desenvolvimento de inteireza e dignidade. Portanto, aqui buscaremos captar mensagens que a poesia possa oferecer, buscando cada vez mais uma conexão com seus pontos de Bem, de Grandeza, de Força, de Vitalidade. E também, como marca pessoal transmitir uma poesia interior que contribua para a divulgação de uma literatura e linguagem poética de cunho sublime, que possa elevar nossos corações e mentes. 

A poesia elevada é um exercício da consciência que busca crescer no Bem.

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Então, vamos falar de poesia:

O que é a Poesia?

Por Ana Terra Oliveira

A Poesia Primeira é Arte. Expressão. Sentido. Está presente em tudo, na natureza, na vida. É a beleza essencial de todas as coisas. A Poesia é Vida. Em tudo existe Poesia, existe essa beleza e esse sentido essencial. A poesia está aí em movimento e em contínua transformação, pois que também a vida de todos os seres e coisas estão aí! A poesia se expressa. O fogo se expressa em chama, o ar em sopro; a água flui nas mãos unidas de seus cristais; a terra solidifica e rompe minerais.

Todos os seres e coisas estão comunicando um universo particular. A flor comunica-se liberando suas cores, exalando seu perfume. A pedra se mostra na solidez de sua coesão interior, na fortaleza de seus contornos. As águas expressam em transparência, em limpidez, em fortes correntezas ou calmaria profunda, percorrendo com flexibilidade os entornos. O pássaro canta e voa, canta e voa e canta e voa, e busca um ramo, faz um ninho, vive e plaina ao vento.

Os homens também se comunicam. Os homens desenvolveram formas de linguagem. Formas  de comunicar-se com a realidade e comunicar subjetivamente o que cada Ser traz dentro de si e o que vê e compreende de seu contato com a realidade. Assim, o homem se torna comunicador da Poesia, e a partir dela ele cria, ele cria arte, imprimindo uma marca própria.

Poesia é então Poiesis, do grego, criação – essa capacidade de criar algo com criatividade. E poiein, fazer. O homem faz, o homem cria. Buscando o princípio poético presente em tudo e criando a partir de seu próprio universo subjetivo e fazendo surgir algo novo, que pode ser apreciado, admirado, refletido, pensado, conhecido. E pode assim construir-se e contribuir para a vida de outro.

Não se pode precisar quando surgiu a linguagem da poesia, é muito antiga.  Veio unida à música, em que ao som da flauta e da lira surgiam-se cantos e canções. O símbolo da poesia é a lira. Da lira surgiram vários instrumentos de cordas como a harpa, que traz essa energia de sublime,  e neste paralelo, a poesia é como uma linguagem dos anjos. A lira é vista como símbolo de virtudes, equilíbrio, sabedoria. Seu som é capaz de curar o corpo, a mente e a alma. Que grande é a importância do canto, do som e da palavra falada como capazes de criar, com o poder de transformar!

Os primeiros homens já faziam suas representações de linguagem em pinturas e gravuras rupestres na rocha e as primeiras civilizações já revelavam formas de comunicação, que juntando a música e a palavra falada, expressavam-se com as lendas e as narrativas. Com a disseminação da escrita, os primeiros registros foram feitos em monólitos, pequenos fragmentos de barro e tábuas de madeira, onde foram escritos os primeiros poemas épicos, narrativas.

A poesia escrita veio, então, se revelar mantendo elementos sonoros e líricos da música.  

Nem toda escrita é poética. O que é poético é a transmissão da mensagem de forma inovadora, capaz de tocar, de chamar a atenção de forma não convencional, de marcar na memória. O poético é encontrado na linguagem literária, na música, na publicidade, na fotografia, na pintura, etc, como já foi dito.

Poema ou poesia, é a mesma coisa? Não, poesia não é poema, está além. Poesia é arte, é princípio essencial de beleza e sentido, expressa um estado da alma, da mente. 

O poema é uma estrutura estética que comunica a poesia; poemas podem conter verso, metrificação e  estilos específicos.  

A poema pode se revelar em diferentes estruturas como:

Poema lírico, que contém um lirismo, um entusiasmo, exalta os sentimentos, mostra uma feição própria, um modo de ver e sentir o mundo. O poema épico é uma narrativa repleta de fatos históricos, heroicos e feitos grandiosos, ensinamentos míticos e lendários, presentes por exemplo nas fábulas e lendas usadas na transmissão de conhecimento pelos povos tradicionais. O poema épico está presente nas epopeias, narrativas longas. O poema dramático, o drama, é também uma narrativa onde estão presentes personagens, narradores e falas, como no teatro. 

A poesia é a criação e o poeta é o que molda, o que trabalha a poesia, capta a poesia, expressa algo de si. Revela mistérios para que outros os desvendem como enigmas com significações que ressoam na alma de cada um. 

O que o poeta pode ser? O poeta pode fazer canção, fazer música, ser contador de história, fazer teatro, opera, musical, pintura, artesanato, cinema, imagem, etc, e escrever. Colocar no papel todo esse universo de expressão. O poeta pode unir. Pois a poesia tem esse poder, poder de unir. E dá ao poeta caminhos incríveis de se realizar. Por isso o poeta é um artista, é um criador, é um fazedor, é um pensador, é um artesão, cientista.  O poeta tem essa vontade de conhecer o que está por trás, desvendar, o que é diferente, o que é novo, ao mesmo tempo que  quer conhecer o simples, de forma simples, o natural, as coisas simples da vida, as vezes óbvias, que estão aí. Porque então não ver, se é simples? Porque a gente precisa fazer um exercício.  Vários exercícios, todos os dias, para ter a visão correta do mundo. Percorrer um caminho de aprendizado. 

Não é de se admirar que na antiguidade, os poetas eram filósofos, matemáticos, físicos, astrônomos, pintores, alquimistas, escultores, etc. Eram mestres e professores. Eles carregavam em si o motor da poesia, que é essa vontade de conhecer e encontrar sentidos. Deixaram-nos caminhos e inspirações.

Profissão é uma coisa, vocação é outra coisa, e conhecimento também. E sabedoria? Tudo junto e muito mais, com muitas habilidades e capacidades desenvolvidas, sempre elevado, sempre sábio! 

Existem singulares poetas, e todos estão a caminho. É caminho do aprendiz do ofício. O ofício nem sempre é fácil, as vezes é chão, é caminho de pedra, é luta, é guerra interior, é brasa. É duro as vezes! As vezes é bem satisfatório, para dizer “nas nuvens”.  Mas é caminho, não vamos esquecer disso. As vezes  cair, mas rever os pontos, sem desistir da caminhada e sempre persistir. Há momentos que o poeta não sabe o que dizer, há um descompasso entre fala e silêncio. E há momentos que o poeta tropeça feio nas palavras. Veio um pensamento, uma onda estranha, saiu uma palavra estranha, o som arranhou, ocorreu uma desarmonizada na melodia. Mas vamos lá, importante seguir. Tirar as pedras do sapato, os grilhões da prisão… os grilhões da prisão!

E vamos lá que poesia tem e tem é muita! E pode ser que logo ali na frente tem um manancial puro, um sol a raiar, um paraíso te esperando. 

O poeta que não está com seu motor em movimento ou que está rodando desordenadamente, está sem direção, sem vida, pode adoecer e morrer. E assim não consegue ver o sentido, a beleza. O que é uma vida sem beleza? A vida sempre tem beleza, é preciso ir atrás dela. Como o cientista com sua lupa que quer ver. Ele quer ver! O poeta quer ver. O poeta quer ter a visão da eternidade. 

O poeta quer…?!

Mas quem disse que você não é poeta? Quem te falou isso?

Você nunca pensou nisso, entendo!

Todos carregam um motor. Você só precisa saber como colocar em movimento, e o que expressar! Saiba em que ponto do caminho está. E no mais, vamos trilhar o caminho da sabedoria!

Para isso, estamos aqui tentando, fazendo muita poesia, vivendo e aprendendo, porque o caminho pode ser longo, mas é possível. 

Seja poeta, a poesia está aí! 

Convite

“Poesia

é brincar com palavras

como se brinca

com bola, papagaio, pião.

Só que

bola, papagaio, pião

de tanto brincar

se gastam.

As palavras não:

quanto mais se brinca

com elas

mais novas ficam.

Como a água do rio

que é água sempre nova.

Como cada dia

que é sempre um novo dia.

Vamos brincar de poesia? “

José Paulo Paes