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O poder da quietude num mundo barulhento

” Quando nos livramos de nossas ideias, pensamentos e conceitos, abrimos espaço à nossa verdadeira mente. Na mente verdadeira há o silêncio de todas as palavras e ideias, e é muito mais vasta do que as construções mentais limitadas. Apenas quando o oceano está calmo e tranquilo, podemos ver a lua refletiva nele. O silêncio é, sobretudo, algo que vem do coração, não somos perturbados por dentro, não significa passar a vida mudo, sem se envolver nem fazer nada. Simplesmente significa que não somos perturbados por dentro, não há um falatório constante. Se somos verdadeiramente silenciosos, não importa o que nos aflija, sempre é possível desfrutar o doce espaço do silêncio. Em certos momentos, imaginamos estar em silêncio, pois não existe qualquer som ativo ao nosso redor. No entanto, se não acalmarmos nossa mente, a conversa segue presente no interior da nossa cabeça. Não existe silêncio verdadeiro. Devemos praticar a busca pelo silêncio em todas as atividades que fazemos. “

Perceba que o silêncio vem do seu coração, não da ausência de conversas. 

Thich Nhat Hanh

 

Silêncio

Silêncio é recolhimento, guardar-se no interior, ficando inteiramente com o profundo, o primordial, a força essencial. 

Em energia única, pura, incorruptível, inabalável, de sabedoria e graça infinita.

O silêncio é expansão, estar em companhia, em cumplicidade, em amizade, em amor, em doação. Potência pulsante.

Silêncio é mistério.

O silêncio é a meta, o silêncio é o caminho, o silêncio é o caminhar, o silêncio é a chegada, é passagem, é morada. 

O silêncio é a casa, é janela, é porta, é quem ali mora.

O silêncio é viagem, bagagem, destino, é a pluma em curso suave.

O silêncio é olhar, é gesto, é o expressar que vem do lugar mais genuíno.

O silêncio proporciona olhar correto, gesto apurado, expressar sagrado. 

 Ir adentrando o silêncio, camada por camada, como um mergulho no mar sem fundo, de fundo transcendente a toda matéria, de fundo suave, ligado a outra esfera, esfera de consciência onde mora a verdade, mora o sagrado, mora a feminilidade. 

Conquistar o silêncio é encontrar a joia preciosa cujo brilho nunca se acaba e traz o maior de todos os prazeres.

O silêncio é prazeroso, regozijante, de satisfação plena. 

Como encontrar silêncio, como ser silêncio, como conectar-se com o primordial, como viver sob a égide da verdade essencial?

Fazer do silêncio a prática, o caminho, a viagem. Encontrar no silêncio a morada, a beleza, escutar o que o silêncio tem a dizer, o que tem a mostrar e com o silêncio viver, na alegria do genuíno, puro e verdadeiro prazer. 

Descoberta!

Deixar que passem as imagens na superfície do existir. E adentrar ao real. Um mundo ainda desconhecido, mas ao mesmo tempo tão familiar, que é a casa, o lugar seguro, o quentinho da alma.

Estamos voltando para casa!

Ana Terra Oliveira